A Honor, criada como spin-off da Huawei em 2020 e sediada em Shenzhen, está desenvolvendo o que chama de "sistema operacional terminal de nova geração" — o Agentic OS. A ideia central é que o dispositivo não apenas responda a comandos, mas que execute tarefas de forma autônoma por conta própria, interagindo com outros aplicativos e serviços como um agente de IA. A Alibaba entra com sua tecnologia de modelos de linguagem da unidade Token Foundry para alimentar as capacidades agênticas do sistema.
O Robot Phone — apresentado na MWC de Barcelona em março de 2026 com um braço robótico articulado embutido na estrutura — ainda não tem data de produção em massa ou preço definido. A parceria entre Alibaba e Honor foi anunciada durante o sub-fórum da WAIC intitulado "Das telas digitais à inteligência incorporada", com a presença de executivos da Qualcomm China, do fundador da Insta360 e de Kevin Kelly, fundador da Wired. Outros players chineses estão na mesma corrida: ZTE, ByteDance e StepFun também apresentaram iniciativas de dispositivos agênticos na WAIC desta edição.
Para empresas e gestores brasileiros, o movimento da Alibaba e Honor confirma uma tendência que já observamos com a SpaceX e a OpenAI: a próxima disputa de IA não é só por modelos mais capazes — é por qual plataforma de hardware vai ser o ponto de acesso dominante para IA agêntica no dia a dia. Se o Robot Phone ou qualquer equivalente ocidental chegar ao mercado com funcionamento real, o impacto na forma como as equipes trabalham pode ser tão significativo quanto a chegada dos smartphones corporativos em 2010. Por ora, é um produto de conferência — mas a direção é clara. Para entender como os modelos de IA agêntica já disponíveis se comparam hoje, veja nosso guia: ChatGPT vs Claude vs Gemini: qual usar no trabalho em 2026.
🖊️ Na nossa avaliação
O Robot Phone da Honor é fascinante como conceito e prematuro como produto. O braço robótico articulado é um diferencial visual forte — mas a questão real é o Agentic OS: um sistema operacional que executa tarefas de forma autônoma é muito mais difícil de construir do que um smartphone com uma peça mecânica diferente. A corrida que a WAIC revela — Alibaba, ByteDance, ZTE, StepFun todos apostando em dispositivos agênticos simultaneamente — mostra que a China está tentando não repetir o que aconteceu com os LLMs, quando o mercado americano liderou por 18 meses antes de ser alcançado. O Agentic OS pode ser o campo onde essa disputa começa antes do produto chegar às lojas.