Durante anos, a grande pergunta do setor era: as pessoas vão trocar o Google pelas redes sociais? Em outubro de 2025, uma pesquisa do Reuters Institute for the Study of Journalism respondeu com um dado que ninguém esperava nessa velocidade: elas estão trocando tudo por IA generativa — e mais rápido do que qualquer projeção indicava.

O dado que muda a conversa sobre busca de informação

O Generative AI and News Report 2025, conduzido com amostras representativas em seis países (Argentina, Dinamarca, França, Japão, Reino Unido e EUA), revelou que o uso semanal de IA para buscar informação quase dobrou em um único ano — saltando de 11% para 24%. Pela primeira vez, esse uso superou a criação de conteúdo (texto, imagens, vídeo e código), que cresceu de forma mais modesta, de 14% para 21%.

Em paralelo, o uso semanal de qualquer ferramenta de IA generativa quase dobrou: de 18% para 34%. E o percentual de pessoas que já usaram alguma IA ao menos uma vez passou de 40% para 61% — um salto de 21 pontos percentuais em doze meses.

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O que "buscar informação" significa na prática: pesquisar um tópico, pedir conselho, tirar dúvidas factuais, resumir documentos longos, comparar opções antes de uma decisão. É exatamente o que antes ia para o Google — e, antes disso, para as redes sociais entre os mais jovens.

O dado que ninguém comenta: só 6% usam IA para notícias

Aqui está a contradição que o relatório expõe com clareza: apesar do crescimento acelerado no uso de IA para buscar informação, apenas 6% das pessoas usam IA especificamente para consumir notícias por semana — número que dobrou na comparação anual, mas partiu de uma base muito baixa (3%).

Em outras palavras: as pessoas confiam na IA para pesquisar, aprender e decidir. Mas para notícias, a desconfiança persiste. Apenas 12% dos entrevistados disseram se sentir confortáveis com conteúdo jornalístico gerado inteiramente por IA — contra 62% para conteúdo totalmente humano. O número sobe para 43% quando a IA é usada para auxiliar jornalistas, não os substituir.

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Dado anti-hype: a pesquisa foi realizada em seis países desenvolvidos, com amostras online que tendem a sobrerrepresentar usuários mais jovens, instruídos e digitalmente ativos. Os números reais de adoção em populações mais amplas — especialmente no Brasil — devem ser menores.

O que isso significa para empresas brasileiras

Para gestores e empreendedores, o impacto é direto: seus clientes já estão pesquisando sobre seus produtos, serviços e concorrentes usando IA — e as respostas que recebem não vêm necessariamente do seu site. Ferramentas como o ChatGPT, o Gemini e o Copilot respondem perguntas com base em fontes indexadas, mas não redirecionam o usuário ao site de origem na maioria dos casos.

A Sensor Tower projetou que, até o fim de 2026, mais da metade dos principais sites terão mais tráfego vindo de ferramentas de IA do que de anúncios pagos. Em outubro de 2025, esse número já estava em 37,3%. Para quem depende de tráfego orgânico e paid search para vender, essa é uma mudança estrutural — não uma tendência de longo prazo.

🖊️ Na nossa avaliação

O dado do Reuters Institute confirma o que já era perceptível no comportamento de busca: a IA generativa não substituiu o Google nem as redes sociais — ela criou uma nova camada de mediação entre o usuário e a informação. Para empresas, isso significa que presença em fontes indexáveis por IA (publicações, documentação, reviews verificáveis) vai importar tanto quanto ranqueamento no Google. Quem entender isso agora sai na frente.

Mais notícias da semana em IA

Duas outras movimentações relevantes marcaram os últimos dias no setor — uma no mercado global, outra no ecossistema brasileiro.

🇨🇳 China · Mercado

DeepSeek pode ser avaliada em US$ 45 bi na primeira rodada externa

O China Integrated Circuit Industry Investment Fund (Big Fund) lidera negociações pela primeira captação da DeepSeek. A avaliação saltou de US$ 20 bi para US$ 45 bi em semanas. Tencent e Alibaba também participam das conversas, segundo Financial Times e Bloomberg.

Rodada ainda em negociação
🇧🇷 Brasil · Startups

Enter vira o primeiro unicórnio de IA da América Latina

A legaltech brasileira captou R$ 500 mi em série B e atingiu valuation de US$ 1,2 bi — mais que o triplo de um ano atrás. Rodada liderada pela Founders Fund, com Sequoia, Kaszek e Ribbit. A Enter automatiza contencioso jurídico, processa mais de 300 mil casos/ano e registrou ARR de R$ 50 mi em 2025.

Primeiro unicórnio BR desde 2024

Perguntas frequentes

Parcialmente. O uso semanal de IA para buscar informação quase dobrou de 11% para 24% entre 2024 e 2025, segundo o Reuters Institute. Mas o Google ainda lidera o mercado global de buscas. O que está acontecendo é uma mudança de comportamento em paralelo: as pessoas usam IA para pesquisar tópicos e tirar dúvidas, mas ainda recorrem a buscadores tradicionais para tarefas específicas. A tendência aponta para uma convivência, não uma substituição imediata.

O Generative AI and News Report 2025 foi conduzido com amostras online representativas em seis países: Argentina, Dinamarca, França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. A pesquisa mapeou consciência, uso e percepções sobre IA generativa, com foco no papel da tecnologia no jornalismo. Os dados foram publicados em outubro de 2025 como continuação do estudo realizado nos mesmos países em 2024.

A Enter, legaltech brasileira fundada em 2023, captou R$ 500 milhões em rodada série B e atingiu valuation de US$ 1,2 bilhão, tornando-se o primeiro unicórnio de IA da América Latina e o primeiro unicórnio brasileiro desde 2024. A empresa automatiza contencioso jurídico com IA, processando mais de 300 mil casos por ano. A rodada foi liderada pela Founders Fund, com participação de Sequoia Capital, Kaszek e Ribbit Capital.


📚 Fontes e referências

  • Reuters Institute — Generative AI and News Report 2025: reutersinstitute.politics.ox.ac.uk
  • Nieman Lab — People are using ChatGPT twice as much as they were last year (out/2025): niemanlab.org
  • InfoMoney — Fundo estatal de chips da China quer liderar rodada de US$ 45 bi na DeepSeek: infomoney.com.br
  • Exame — Enter vira primeiro unicórnio brasileiro de IA com captação de R$ 500 milhões: exame.com
  • Startups.com.br — Enter capta R$ 500M e cria 1º unicórnio de IA da América Latina: startups.com.br
  • Sensor Tower via ECO Sapo — IA já rivaliza com tráfego pago em sites (mar/2026): eco.sapo.pt