Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta planejam US$ 700 bi em capex. 75% vai para infraestrutura de IA. Amazon pode fechar 2026 com fluxo de caixa livre negativo de até US$ 28 bilhões.
A corrida por infraestrutura de IA está consumindo capital em uma escala sem precedente na história do setor de tecnologia. As quatro maiores big techs — Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta — devem gastar juntas quase US$ 700 bilhões em investimentos de capital (capex) em 2026, segundo análises da CNBC e do banco CreditSights. O número representa uma alta de 36% sobre os US$ 443 bilhões gastos em 2025 e mais que o dobro dos US$ 256 bilhões de 2024.
Quem gasta quanto
A Amazon lidera com folga: a empresa anunciou planos de US$ 200 bilhões em capex para 2026, número que surpreendeu até as projeções mais otimistas do mercado — o consenso dos analistas estava perto de US$ 147 bilhões. O CEO Andy Jassy defendeu a decisão afirmando que a capacidade de IA está sendo monetizada tão rápido quanto é instalada, com o AWS atingindo uma taxa anualizada de receita de US$ 142 bilhões.
A Alphabet (Google) anunciou capex entre US$ 175 e US$ 185 bilhões para 2026 — quase dobrando em relação aos US$ 91 bilhões de 2025. A Meta projeta entre US$ 115 e US$ 135 bilhões, seu maior investimento em infraestrutura da história. A Microsoft deve gastar cerca de US$ 97 bilhões no ano fiscal, com analistas estimando que a taxa trimestral poderia superar US$ 150 bilhões anualizados.
Segundo o banco CreditSights, aproximadamente 75% desse capex total é diretamente ligado à infraestrutura de IA — servidores, GPUs e data centers — e não ao negócio de nuvem tradicional. O montante específico para IA chegaria a US$ 450 bilhões em 2026.
A pressão sobre o caixa
O nível de gasto está comprimindo o fluxo de caixa livre das empresas em graus que analistas chamam de "extraordinários". A intensidade de capital — capex como percentual de receita — está em 45% na Microsoft e 57% na Oracle, segundo o CreditSights, patamar próximo ao triplo das normas históricas do setor.
A Amazon é o caso mais extremo: analistas do Morgan Stanley projetam que a empresa deve registrar fluxo de caixa livre negativo de quase US$ 17 bilhões em 2026, e o Bank of America estima um déficit de US$ 28 bilhões. Em um arquivo enviado à SEC, a Amazon sinalizou que pode buscar emissão de ações e dívida para sustentar o ritmo de expansão. A Alphabet emitiu US$ 25 bilhões em títulos em novembro de 2025 e viu sua dívida de longo prazo quadruplicar no ano, chegando a US$ 46,5 bilhões.
Retorno sob questionamento
Apesar dos gastos recordes, o mercado está diferenciando quem consegue mostrar retorno de quem está apenas queimando caixa. A Goldman Sachs observou uma rotação de investidores: as ações de empresas com capex financiado por dívida e crescimento de lucro operacional pressionado estão sendo vendidas, enquanto as que conseguem ligar o gasto à receita estão sendo recompensadas. Desde o começo de 2026, a Microsoft acumula queda de 17%, a Amazon caiu 9%, enquanto Alphabet e Meta apresentam leve alta.
A Goldman Sachs projeta que o crescimento do capex dos hyperscalers deve desacelerar de 75% ao ano em 2025 para 25% até o fim de 2026 — mas também observa que os analistas subestimaram o gasto real por dois anos consecutivos. O mercado ainda não tem uma resposta clara para a pergunta central dessa corrida: a receita de IA conseguirá justificar a escala do investimento que está sendo feito agora.