68% dos executivos esperam crescimento de vagas júnior em 2026. PwC analisou 1 bilhão de anúncios e encontrou que profissionais com IA ganham 56% a mais. Os dados contradizem o medo de substituição em massa.
O medo de que a inteligência artificial destrua empregos em massa está perdendo respaldo entre os próprios executivos que conduzem a transformação. Duas pesquisas globais publicadas em 2025 e 2026 chegam à mesma conclusão: na prática, a IA está criando mais funções do que elimina — e quem tem habilidades em IA ganha significativamente mais.
O que dizem os executivos
Um levantamento da plataforma de contratação global G-P ouviu 500 executivos norte-americanos e constatou que apenas 22% acreditam que a IA vai substituir empregos rápido demais. No lado oposto, 68% esperam mais vagas de nível júnior em 2026 — não menos. Entre esses, 45% preveem crescimento em funções onde profissionais iniciantes trabalham lado a lado com IA para entregar resultados de maior valor, e 23% antecipam expansão em cargos de atendimento ao cliente que priorizam comunicação e resolução de problemas. Apenas 2% acreditam que a IA vai substituir grande parte das posições de entrada.
Um estudo separado do BCG, com mais de 2.000 líderes seniores e executivos C-level em empresas globais, mostra que 82% dos CEOs estão mais otimistas sobre IA do que há um ano. A maioria acredita que o potencial de longo prazo da tecnologia supera em muito os objetivos de retorno imediato — e apenas 6% das empresas planejam reduzir investimentos em IA caso a tecnologia não entregue resultados em 2026.
Os dados da PwC reforçam a tese
O Global AI Jobs Barometer 2025 da PwC, baseado na análise de quase um bilhão de anúncios de emprego em seis continentes, encontrou que o número de vagas cresceu mesmo nas funções consideradas mais suscetíveis à automação. Desde 2022, quando o ChatGPT popularizou a IA generativa, a produtividade nas indústrias mais expostas à tecnologia cresceu quase quatro vezes mais rápido do que nas menos expostas — de 7% para 27% entre 2018 e 2024.
O dado mais impactante: profissionais com habilidades em IA ganham 56% a mais do que colegas no mesmo cargo sem essas competências — um prêmio salarial que subiu de 25% no ano anterior. A demanda por profissionais com conhecimentos em IA está crescendo 66% mais rápido nas funções expostas à tecnologia do que nas demais.
A ressalva que o hype omite
Os números positivos têm um contrapeso que os mesmos estudos registram. O Banco Mundial analisou vagas de emprego online nos EUA e observou queda média de 12% nas posições com alta substituibilidade por IA entre o fim de 2022 e junho de 2025 — e esse impacto cresceu de 6% no primeiro ano para 18% no terceiro. A queda é mais severa em apoio administrativo (40%) e serviços profissionais (30%), e atinge desproporcionalmente trabalhadores sem diplomas avançados e quem está no início de carreira.
A conclusão que emerge dos dados é mais nuançada do que qualquer uma das narrativas extremas: a IA não está eliminando o trabalho em massa, mas está redistribuindo quem faz o quê — e acelerando a pressão sobre quem não se adapta. Profissionais que aprendem a trabalhar com IA tendem a produzir mais e ganhar mais. Profissionais que não o fazem enfrentam concorrência crescente com quem faz — humano ou máquina.