Pesquisa do Google com Ipsos revela que 82% dos brasileiros já usam IA no dia a dia e 80% se sentem mais seguros nas compras com a tecnologia. A era do B2A chegou.
Uma pesquisa inédita do Google em parceria com a Ipsos, apresentada no Re-Think with Google 2026 em São Paulo, revelou que 80% dos usuários brasileiros de ferramentas de IA se sentem mais seguros nas decisões de compra e 82% decidem mais rapidamente com o auxílio da tecnologia. O levantamento mostrou ainda que 82% dos brasileiros já usam algum recurso de IA no dia a dia — índice que sobe para 90% entre a Geração Z.
Segundo Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, "estamos vivendo a transição da era de 'colecionar informações' para o estágio de 'usufruir de possibilidades'". Para ele, a IA ultrapassou a função de ferramenta e se tornou uma infraestrutura do cotidiano — especialmente na jornada de consumo.
Da curiosidade à utilidade
A pesquisa identifica três fases da adoção de IA no Brasil: curiosidade (2023), experimentação e entretenimento (2024) e, desde 2025, utilidade e aplicação. O consumidor brasileiro não usa mais IA por novidade — usa porque resolve problemas reais.
O estudo aponta para o surgimento do chamado B2A (Business to AI): as marcas precisarão ser interpretadas e recomendadas por sistemas de IA antes de chegarem ao consumidor final. "O varejo sai da lógica da vitrine digital e entra na lógica da decisão automatizada. Quem não estiver preparado para ser interpretado por máquinas deixa de existir nesse fluxo", alertou Adriana Garbim, VP Comercial da Cielo, presente na NRF 2026.
O consumidor mais exigente — e mais cauteloso
A adoção mais madura da IA está criando um consumidor mais exigente, não mais passivo. Outro levantamento, da Conversion em parceria com a ESPM, mostrou que 40% dos brasileiros já aceitam que a IA compre por eles de forma autônoma — mas 95% ainda demonstram preocupação com segurança nesse cenário.
Paralelamente, 1 em cada 3 brasileiros já usou IA para comparar preços na Black Friday, e a tendência é que esse comportamento se normalize em toda a jornada de compra, segundo a MindMiners. A pesquisa da Abiacom reforça o cenário: 70% dos profissionais acreditam que atividades do seu dia a dia poderiam ser automatizadas por IA, incluindo etapas de vendas, atendimento e análise de leads.
O que muda para as marcas
A implicação prática é direta: as marcas precisam estruturar dados, conteúdo e presença digital de forma que sistemas de IA as reconheçam e recomendem — não apenas que consumidores as encontrem. Segundo a NRF 2026, "as inteligências artificiais não recomendam o que não consideram confiável". Reputação digital passa a ser critério operacional.
Para o marketing e o varejo brasileiro, o recado é claro: o cliente não vai mais apenas pesquisar no Google antes de comprar. Ele vai perguntar para a IA — e a resposta que receber vai determinar qual marca entra no carrinho.