Joint venture de US$25 bilhões quer produzir 1 terawatt de compute por ano com tecnologia 2nm. 80% da produção vai para data centers orbitais. Entenda o que muda — e por que o mercado está cético.
Elon Musk anunciou oficialmente o Terafab em 21 de março de 2026 — uma joint venture entre Tesla, SpaceX e xAI para construir o que ele chama de "o mais épico projeto de fabricação de chips da história". O evento aconteceu na antiga Usina Seaholm em Austin, Texas, com o governador do estado na plateia e transmissão ao vivo no X.
O que é o Terafab
O Terafab é uma fábrica de semicondutores verticalmente integrada, estimada em US$ 20 a 25 bilhões, que pretende concentrar em um único local todas as etapas de produção de chips: design, litografia, fabricação, memória, empacotamento avançado e testes. A fase inicial será construída no North Campus da Gigafactory Texas, em Austin. A meta de capacidade é 1 terawatt de computação por ano — para comparação, toda a produção mundial atual de chips avançados representa cerca de 2% do que Musk diz precisar para seus projetos.
A instalação vai produzir dois tipos de chips:
- AI5 / chip terrestre — para os carros da Tesla (Full Self-Driving), o robotaxi Cybercab e o robô humanoide Optimus. Pequena produção em lote prevista para 2026, volume em 2027.
- D3 / chip espacial — processador endurecido para operar em órbita, resistente à radiação cósmica e variações extremas de temperatura. Destinado aos data centers orbitais da SpaceX.
A justificativa de Musk foi direta: "Ou construímos o Terafab ou não teremos os chips. E precisamos dos chips." Ele elogiou os fornecedores atuais — Samsung, TSMC e Micron — mas disse que a taxa de expansão deles é "muito menor do que gostaríamos".
O detalhe que poucos mencionaram: 80% dos chips vão para o espaço
A divisão declarada por Musk é de 80% da produção direcionada para satélites orbitais e apenas 20% para aplicações terrestres. Isso se conecta diretamente ao plano da SpaceX de lançar um milhão de satélites data center em órbita baixa — pedido já protocolado na FCC no início de 2026. A lógica: a irradiância solar no espaço é cerca de 5x maior que na Terra, e a dissipação de calor no vácuo torna viável escalar processamento em órbita a custo menor que no solo.
Contexto: a fusão SpaceX + xAI
Em fevereiro de 2026, a SpaceX adquiriu a xAI em um acordo all-stock, tornando a xAI uma subsidiária integral. A SpaceX passou a ser a empresa privada mais valiosa do mundo, com avaliação reportada de US$ 1,25 trilhão, com IPO esperado para o segundo trimestre de 2026. O Terafab é a camada de hardware que une os três negócios: a Tesla fornece o chão de fábrica e os robôs, a SpaceX fornece o veículo de lançamento (Starship) e a infraestrutura orbital, e a xAI consome a maior parte do compute para treinar o Grok.
O ceticismo real
A mídia especializada foi menos entusiasmada que o evento. A Electrek comparou o Terafab ao Battery Day de 2020, quando Musk prometeu revolucionar a fabricação de baterias com a célula 4680 — um programa que levou anos além do prazo e ficou muito aquém das metas. O TechCrunch lembrou que Musk não tem histórico em fabricação de semicondutores. A Bloomberg notou que o custo total do Terafab (US$ 20-25 bi) não está sequer incorporado ao plano de capex da Tesla para 2026, que já ultrapassa US$ 20 bilhões. Nenhum cronograma de construção foi divulgado no evento.
O que isso muda para o mercado de chips
Se executado, o Terafab seria o primeiro concorrente real à TSMC em escala — e o primeiro a operar com tecnologia de 2nm fora do monopólio taiwanês-coreano. A tendência que o projeto representa, independente do sucesso de Musk, já é real: grandes consumidores de chips estão tentando se tornar produtores. Google, Amazon, Meta e Apple já desenvolvem chips próprios. A diferença é que nenhum deles tentou fabricar do zero — todos ainda dependem da TSMC para a litografia. Musk quer fechar esse último elo.